A pesquisa Oca-atá-aruai: Patrimônio e Turismo baseia-se no entendimento de nação como um sistema de representação cultural. Sua paisagem, suas narrativas, suas vivências, sua herança, seu imaginário vão singularizar a sua diferença, visível nos patrimônios natural e cultural de cada território.
Já não é possível associar uma identidade estritamente a um espaço ou a um país; ou mesmo identificar um patrimônio como exclusivo a uma cultura. Isto porque, as identidades e as culturas são móveis. Deslocam-se, viajam, redefinem fronteiras. Muitos de seus componentes se originam em um território e migram, acentuando seus caracteres ou hibridando-se com a cultura receptora.
A idéia é de que, no espaço entre as identidades nacionais e a multiculturalidade global, há a possibilidade de serem realizadas ações de turismo através de zonas de cruzamento. Na consideração da nova ordem mundial, o global e o local são tratados como complementares: o primeiro como ferramenta para a visibilidade do segundo.
A partir de tais concepções, o projeto é desenvolvido, estruturado por roteiros com base em bens simbólicos, aqui entendidos como representação das vivências e do patrimônio cultural e ambiental. Experiências de viagens internacionais são registradas com o propósito de 'iluminar', pela diferença, a singularidade das várias regiões do Brasil e, especialmente, a região Sul baiana da Costa do Cacau.
Por amostragem, os registros são realizados através de fotografias, recolha da literatura, artesanato e entrevistas com pessoas da comunidade. Os locais são visitados tendo em conta a sua importância histórica, suas tradições, seus costumes e sua condição ambiental. Para o percurso às diversas localidades, é utilizado um motorhome. Daí o nome: Oca-atá-aruai, do tupi-guarani: casa-que-anda-alegremente. Além de casa e veículo dos pesquisadores, o motorhome dispõe de espaço destinado a publicidades daquelas empresas interessadas em apoiar a iniciativa e dar visibilidade à Costa do Cacau, sede do projeto.
